Brasil precisa transformar acesso à escola em aprendizagem, avalia especialista sobre o Pisa

Brasil precisa transformar acesso à escola em aprendizagem, avalia especialista sobre o Pisa

Expansão da matrícula e do acesso à educação não foi suficiente para garantir avanços proporcionais no desempenho dos estudantes brasileiros

O Brasil avançou na ampliação do acesso à educação, mas ainda enfrenta o desafio de transformar a presença dos estudantes nas escolas em aprendizagem efetiva. Essa é uma das principais questões levantadas por especialistas ao analisar os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa).

A avaliação internacional permite comparar o desempenho de alunos brasileiros com estudantes de outros países e evidencia dificuldades persistentes em áreas fundamentais, como matemática, leitura e ciências.

Mais alunos na escola, mas aprendizagem ainda é desafio

Nas últimas décadas, o Brasil conseguiu ampliar significativamente o número de crianças e adolescentes matriculados na educação básica.

O avanço foi importante para reduzir a exclusão escolar e aumentar o acesso de diferentes grupos à educação formal. Porém, especialistas apontam que estar matriculado não significa necessariamente aprender o conteúdo esperado para cada etapa escolar.

O desafio atual está justamente em melhorar a qualidade do ensino oferecido.

Pisa mostra dificuldades de aprendizagem

O Pisa avalia estudantes de aproximadamente 15 anos em diferentes países e busca medir não apenas conhecimentos escolares, mas também a capacidade de aplicar aquilo que foi aprendido em situações práticas.

Os resultados brasileiros historicamente mostram dificuldades importantes, especialmente em matemática.

A avaliação também evidencia diferenças relacionadas ao nível socioeconômico dos estudantes, mostrando que as condições de vida continuam influenciando as oportunidades educacionais.

Qualidade precisa acompanhar expansão

Para especialistas, o próximo passo da política educacional brasileira deve ser garantir que a expansão do acesso seja acompanhada por melhoria na qualidade do ensino.

Isso envolve investimentos em formação e valorização dos professores, infraestrutura adequada, materiais pedagógicos e acompanhamento mais próximo da aprendizagem.

Também é necessário identificar rapidamente estudantes que apresentam dificuldades para evitar que os problemas se acumulem ao longo da trajetória escolar.

Desigualdade continua sendo um obstáculo

Outro ponto importante é a desigualdade entre estudantes de diferentes regiões e condições sociais.

Alunos que vivem em situações de maior vulnerabilidade podem enfrentar dificuldades adicionais para acompanhar as atividades escolares, seja por falta de recursos, acesso limitado à tecnologia ou condições familiares adversas.

Reduzir essas diferenças é essencial para melhorar o desempenho educacional do país.

Professor continua no centro da transformação

Apesar do avanço das tecnologias educacionais e da inteligência artificial, especialistas defendem que o professor continua sendo peça central para melhorar a aprendizagem.

A tecnologia pode auxiliar no diagnóstico de dificuldades e na personalização do ensino, mas precisa estar integrada a uma estratégia pedagógica consistente.

A formação continuada dos profissionais também aparece como elemento importante para enfrentar os novos desafios da educação.

Desafio agora é aprender mais e melhor

O debate provocado pelos resultados do Pisa mostra que o Brasil passou por uma etapa importante de expansão do acesso à educação, mas precisa avançar em outro indicador: a qualidade da aprendizagem.

O objetivo, portanto, não é apenas garantir que crianças e adolescentes estejam dentro das escolas, mas assegurar que tenham condições reais de desenvolver conhecimentos e habilidades necessários para a vida acadêmica, profissional e social.