Investigação aponta morte de bilhões de pintinhos por ano e destaca tecnologia que pode evitar prática

Investigação aponta morte de bilhões de pintinhos por ano e destaca tecnologia que pode evitar prática

Levantamento da Mercy For Animals afirma que cerca de 7 bilhões de pintinhos machos são descartados anualmente; técnica de sexagem ainda no ovo pode reduzir o problema.

Uma investigação realizada pela organização de proteção animal Mercy For Animals voltou a chamar atenção para uma prática antiga da indústria de produção de ovos: o descarte de pintinhos machos logo após o nascimento.

Segundo estimativa citada pela entidade, cerca de 7 bilhões de pintinhos machos são mortos todos os anos em incubatórios ao redor do mundo, principalmente por não terem utilidade comercial na produção de ovos.

O problema ocorre porque os machos das linhagens utilizadas pela indústria de postura não produzem ovos e, em muitos casos, também não apresentam as características buscadas pela produção de carne.

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Investigação revela rotina em incubatórios

A organização acompanhou a rotina de um incubatório comercial e registrou a separação dos animais logo após a eclosão.

De acordo com a investigação, os pintinhos são classificados de acordo com sexo, condições físicas e critérios de produção.

A maior parte dos animais descartados é formada por machos, mas a organização também identificou casos envolvendo fêmeas consideradas fora dos padrões comerciais.

Segundo a Mercy For Animals, o elevado número de nascimentos dificulta inclusive alternativas como a doação dos animais, já que a quantidade disponível supera significativamente a demanda.

Tecnologia pode identificar sexo antes do nascimento

Uma das principais alternativas apontadas por especialistas é a chamada sexagem in ovo, tecnologia que permite identificar o sexo do embrião ainda durante o desenvolvimento dentro do ovo.

Com isso, os ovos identificados como masculinos podem ser separados antes da eclosão, evitando o nascimento de animais destinados ao descarte.

A tecnologia já é utilizada comercialmente em alguns mercados, incluindo Brasil e Estados Unidos, mas ainda não está disponível de maneira ampla em toda a indústria mundial.

Inteligência artificial auxilia processo

Algumas das tecnologias mais recentes utilizam sistemas de imagem combinados com inteligência artificial para identificar o sexo dos embriões.

Segundo o veterinário e pesquisador Andrew Knight, especialista em bem-estar animal citado na investigação, determinados sistemas conseguem alcançar precisão superior a 99%, realizando a identificação em poucos segundos ou até menos.

O objetivo é que a separação seja realizada em estágios iniciais do desenvolvimento embrionário.

Pesquisadores no Canadá também trabalham com tecnologias capazes de determinar o sexo do embrião poucos dias depois do início da incubação.

Países adotam novas regras

Enquanto algumas regiões apostam na adoção de novas tecnologias, determinados países passaram a utilizar a legislação para restringir a prática tradicional.

Alemanha e França, por exemplo, adotaram medidas para proibir o descarte convencional de pintinhos machos, impulsionando o desenvolvimento e a implementação de alternativas tecnológicas.

Debate envolve bem-estar animal e indústria

A discussão sobre o destino dos pintinhos machos vem crescendo à medida que novas tecnologias se tornam disponíveis.

Organizações de proteção animal defendem uma expansão da sexagem in ovo para reduzir o número de animais descartados, enquanto o setor produtivo precisa avaliar fatores como custos, disponibilidade dos equipamentos e adaptação dos incubatórios.

Com bilhões de animais envolvidos todos os anos, especialistas avaliam que a evolução dessas tecnologias pode provocar mudanças importantes na cadeia mundial de produção de ovos.