Usina nuclear de Zaporizhzhia fica sem energia externa e AIEA alerta para risco de apagão total

Usina nuclear de Zaporizhzhia fica sem energia externa e AIEA alerta para risco de apagão total

Maior usina nuclear da Europa depende de geradores a diesel após perder conexão com a rede elétrica; agência internacional acompanha situação em meio à guerra na Ucrânia.

A situação na usina nuclear de Zaporizhzhia, na Ucrânia, voltou a provocar preocupação internacional após a instalação permanecer por mais de uma semana sem fornecimento de energia elétrica externa.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou, em atualização publicada em 29 de agosto de 2026, que a central está utilizando geradores de emergência movidos a diesel para manter equipamentos essenciais de segurança e refrigeração em funcionamento.

Segundo a agência, a usina perdeu em 20 de agosto a conexão com sua última linha externa de eletricidade disponível, a Ferosplavna-1, de 330 quilovolts. A interrupção ocorreu após atividade militar registrada na região ao norte do rio Dnipro.

Mesmo com os seis reatores sem operar normalmente para geração de energia, uma usina nuclear continua precisando de eletricidade para manter sistemas de resfriamento, instrumentos de controle e estruturas relacionadas ao combustível nuclear usado.

Sem alimentação externa, essa tarefa passou a depender diretamente dos geradores a diesel.

Combustível passa a ser preocupação

A situação se tornou ainda mais delicada porque o funcionamento prolongado dos geradores exige abastecimento contínuo de combustível.

A administração da central informou à AIEA que havia aproximadamente dez dias de diesel disponível, quantidade correspondente ao mínimo regulatório exigido no local naquele momento.

A AIEA também destacou dificuldades logísticas para garantir novas entregas de combustível, devido à atividade militar na região.

O diretor-geral da agência, Rafael Mariano Grossi, alertou que uma interrupção simultânea da energia externa e dos geradores poderia representar um risco grave para a segurança nuclear.

A agência trabalha para viabilizar uma nova área localizada de cessar-fogo temporário que permita reparos na linha elétrica danificada.

Segundo a AIEA, essa seria a sétima operação desse tipo negociada pela instituição desde o fim de 2025 para permitir manutenção de infraestrutura essencial na região.

Drones e explosões aumentam tensão

Além do problema energético, representantes da AIEA presentes na usina relataram explosões e movimentações militares frequentes nas proximidades.

Três incidentes envolvendo drones foram comunicados à agência na mesma semana. Um deles teria ocorrido próximo ao reservatório de resfriamento e deixado dois funcionários feridos.

Outro drone teria explodido próximo à área de armazenamento seco de combustível nuclear usado, enquanto um terceiro atingiu parte de um sistema relacionado às unidades da central.

Apesar dos incidentes, a AIEA afirmou que os níveis de radiação permaneceram normais.

Grossi voltou a pedir contenção militar em torno das instalações nucleares ucranianas, destacando que mesmo ataques que não atingem diretamente materiais radioativos podem comprometer sistemas fundamentais para a segurança.

Por que Zaporizhzhia preocupa o mundo

A usina de Zaporizhzhia é a maior central nuclear da Europa e está localizada em uma área diretamente afetada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia.

Antes da guerra, a unidade possuía acesso a dez linhas externas de energia. A deterioração progressiva da infraestrutura deixou a instalação muito mais dependente de soluções emergenciais.

A situação é acompanhada de perto por governos europeus e por organismos internacionais porque um acidente nuclear de grandes proporções poderia produzir consequências além das fronteiras da Ucrânia.

A prioridade imediata da AIEA é restaurar uma fonte confiável de eletricidade externa e garantir combustível suficiente enquanto isso não ocorre.